Zélia Évora

Seen from the inside

Description

Olá. Eu sou a Zélia Évora – e , antes que perguntem, garanto que não tenho nada a ver com a Cesária ou o Nelson. Não sei cantar e os saltos que dou acontecem todos eles no mundo das ideias.

Um dia saí de casa com a minha filha Alice, ainda bebé, para comprar um chapéu de sol. Perdi-o. Fiquei danada. Cheguei a casa, sentei-me na máquina de costura e fiz-lhe um chapéu, dupla face. E outro, igual, para mim. Fotografei, partilhei no facebook e foi assim que comecei a fazer chapéus por medida. Nesse dia vendi o meu primeiro chapéu. Estava desempregada e vi ali a possibilidade de ter o meu próprio trabalho. Comecei por trabalhar em casa, o que se revelou insustentável pela incompatibilidade entre a logística familiar e os tecidos, tesouras, etiquetas, cartões – e todo o caos necessário às pessoas criativas e temperamentais, como eu. Somos quatro, lá em casa: eu, o César e os meus filhos, Alice e Rafael. Neste momento, trabalho num atelier, nas Caldas da Rainha – e é ali que o meu caos criativo conhece tempo e espaço para acontecer.

E desde aí? Não parei – nem posso! Cintos, laços, gravatas, golas, ponchos, lenços, barretes, totes, carteiras – o difícil é deixar de ter ideias e parar de criar. Por necessidade, pois é assim que ganho a minha vida; e por prazer, pois é assim que me sinto viva: a pegar nos tecidos e a vê-los ganhar a forma da ideia que hoje acordou na minha cabeça.

A dada altura, surge o Gang da Malha. O Filipe Almeida Santos e eu resolvemos levar o tricot para o espaço público: o café, o jardim, os sítios onde as pessoas costumam cruzar-se, encontrar-se para beber um café ou dizer coisas sobre a vida. E rapidamente vimos o Gang a tomar de assalto outros sítios, para além das Caldas onde a ideia aconteceu pela primeira vez.

Há cerca de dois anos vi-me no autocarro, a caminho de Lisboa: tinha recebido um e-mail de uma editora, para reunir e falar de um possível livro. Comprei o bilhete de ida, Caldas-Lisboa, sem expectativas. Regressei com um bilhete de volta e com um desafio novo para criar. Chamei-lhe A Terapia do Tricot e está publicado pela Esfera dos Livros.

Sim, já tricotava em pequena e aprendi umas coisas de costura com a minha mãe. E agora pareço aqueles cantores a falar da sua vida e a dizer: “ah mas eu já cantava desde pequenino”. Sabia lá eu que os trapos, as linhas, as lãs, as tesouras de corte, as agulhas e o sol que entra pela janela do meu atelier iam ser a minha inspiração, transpiração e (até rima) o meu ganha-pão.

Gosto do que faço e de ver que as minhas peças tornam as pessoas mais bonitas, mais felizes, mais quentes ou protegidas do sol. O carinho que recebo das minhas clientes transforma-se em motivação e vontade para ousar e desafiar-me, nas peças que crio. Mas sou uma pessoa como todos vós: há dias em que rio alto, outros em que resmungo sozinha, outros em que tenho que fazer serão para dar resposta às encomendas, outros em que o serão serve para inventar coisas novas que se transformem em encomendas. Gosto de bolo de chocolate e não dispenso um café – sobretudo se for acompanhado por dois dedos de conversa.

Se queres saber o que ando a criar e a inventar, visita-me no facebook ou no instagram. Também tenho um blog e de vez em quando visito o twitter.